
Sentado à beira duma das minhas amigas,
Vi-te chegar nas sombras dos ramos que me abraçavam,
Mas não te prestei atenção, não sabia que eras tu.
Fechei os olhos e deixei-me embarcar em mil e um pensamentos que só a minha mente cria.
Meditei durante algum tempo,
E quando volto a abrir os olhos, remexo um pouco o corpo.
Tu assustas-te e eu também.
Estavas tão perto...
Ficas a olhar para mim num ramo mais distante,
E eu fico também a fitar-te.
Quando tento tirar a maquina fotografica é então que tu foges.
Soube então que hoje não era dia de fotos,
Já bastaram as outras tiradas enquanto voavas.
Deixei-me estar sentado como tinha estado até ai.
Vi-te a voar de árvore em árvore,
A dar a volta, a passar por mim e a vir ter novamente aos ramos atrás de mim.
Continuei sentado e é então que me surpreendes vindo ter aos ramos à minha frente.
Olho para ti e tu para mim.
Fico a mirar-te o tempo todo enquanto tu saltas de ramo em ramo cada vez mais para junto de mim.
Oho para ti e tu para mim uma e outra vez,
Sinto arrepios que abalam o corpo uma e outra vez,
Mas mantenho-me firme a admirar-te.
Já não existe nenhum ramo mais perto de mim.
Olho-te nos olhos, vejo o quanto eles brilham, brilham como fogo.
Tu olhas-me atentamente também,
Sinto-o...
E nesse momento tu voas para outra árvore e depois voas novamente e vais-te embora.
Já descobris-te então quem sou eu.
Aquele que te assobiava.
Espero ver-te sempre que caminhar no teu espaço.